Uma ideia pipoca na mente do roteirista. O roteirista se esforça para transcrevê-la em um maço de 200 páginas e sai em busca de um estúdio ou produtor disposto a banca-la. O estúdio contrata um diretor e este, por sua vez, monta uma equipe com os melhores profissionais disponíveis – ou os melhores que o seu orçamento lhe permite – para trazer à vida as palavras do sujeito na primeira frase deste parágrafo.
É claro que o parágrafo anterior não representa fielmente 100% do processo para criação de alguns dos maiores nomes do cinema, mas serve para termos uma noção de como funciona essa indústria que tanto nos fascina, oCinema.
Um dos marcos dessa indústria poderá ser testemunhado na noite do próximo domingo (26) quando 84ª entrega dos prêmios da Academia de Cinema acontecerá, em um espetáculo que qualquer cinéfilo espera ansiosamente durante todo o ano. Apesar de muitas pessoas acreditarem que a credibilidade dos Oscars ter há tempos desaparecido, não dá pra negar o prestígio que receber o ‘carequinha dourado‘ acarreta na carreira de um artista ou profissional do cinema.
Uma das categorias do evento visa a premiação daqueles profissionais que muitas vezes, infelizmente, têm o trabalho ofuscado pelo brilho da direção ou elenco: o fotógrafo de cinema, cuja função é fazer com que aquilo que estava nas páginas do roteiro apareça na telona da exata maneira como o diretor planejou, seja cuidando da iluminação, paleta de cores do cenário ou lentes para criar o efeito desejado.
Seja em filmes como O Iluminado, onde em uma cena num labirinto John Alcott, o fotógrafo, resolveu usar lentes grande-angulares para fazer com que as paredes do labirinto dobrassem de tamanho, ou nas belíssimas cores e planos de Emmanuel Lubezki em A Árvore da Vida, que foi nomeado para o prêmio de melhor fotografia este ano, o trabalho do fotógrafo de cinema faz com que a ida ao cinema seja tão bela aos nossos olhos como à nossa percepção.

Na premiação deste domingo, veremos se a fotografia bem contrastada em preto e branco do francês Guillaume Schiffman, em O Artista, um filme que nada contra a maré nestes tempos de gravações em câmeras digitais e três dimensões, será páreo para as cores frias deJeff Cronenweth em sua 4ª colaboração com o diretor David Fincher em Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Ou se o veteranoRobert Richardson, ganhador de 2 Oscars, com sua fotografia aliada ao 3D de A Invenção de Hugo Cabret baterá o também bicampeãoJanusz Kaminski e seus focos da lindíssima paisagem de Cavalo de Guerra.
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Rabiscado por: lívia.fernandes em 22 / 02 / 2012 · -